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DIVERSIDADE PEGA NA MINHA MÃO E VEM

Sobre diversidade: pega na minha mão e vem!

Quando alguém fala de “diversidade” parece facim, facim saber o que significa. Geral é capaz de responder: “ora, diversidade é esse negócio de gay, negro, gordo, trans, não?!” Pois bem. Em linhas gerais, é por aí. Tem a ver. Sendo mais estrita, no dicionário, “diversidade” significa diferente, distinto, variado. No Houaiss, a palavra “diversidade” tem o mesmo significado que: “caráter que distingue um ser do outro ser, uma coisa de outra coisa”.

Mas, calma. Saber mais ou menos o conceito faz com que você o aplique na sua vida? Faz com que sejamos sensíveis a ele? Faz com que entendamos toda a sua dimensão?

Por exemplo, uma coisa que sempre me frustra no meio liberal é que muitos parecem querer normatizar até mesmo a diversidade. Pode ser gay ou bi, mas não pode dar pinta. Pode ser lésbica ou bi, mas tem que atender fetiches (sempre tem aquele cara achando que pegação entre mulheres tem a ver com ele e que por isso ele pode entrar no rolê das minas). Pode ser plus size, mas não gorda. Pode ser trans, mas tem que ter passabilidade cis (ou seja, que “passa” por uma mulher ou homem não trans). Pode ser negro, mas tem que ser roludo. Pode ser madura, mas tem que ser Milf (sobre isso quero falar melhor num outro texto).

Pode ser sexy, mas não pode ser vulgar. Aliás, o que é mesmo esse negócio de sexy e vulgar? Já pararam pra pensar que a régua que usamos pra definir o sexy e o vulgar também tem relação com racismo, classismo (discriminação baseada na classe social), gordofobia, misoginia, etarismo (preconceito com idade)…? Ou seja, tem relação com o desrespeito à diversidade?!

O caso é que considerar a diversidade requer desconstrução e reconstrução no olhar. É agir com respeito de verdade e compreender que corpos diversos, orientações diversas, cores diversas, sotaques diversos vivenciam desejos e expectativas tanto quanto qualquer outra pessoa que esteja mais no padrão: branca, magra, hetero, sem deficiência, sudestina… O que atravessa essa experiência muitas vezes tem mais relação com a maneira como o mundo se relaciona com os diversos que com o tesão do sujeito em si.

Por exemplo, uma pessoa gorda frequentando um ambiente liberal que age de maneira gordofóbica tem grandes chances de viver sua experiência de prazer de maneira mais enviesada, doída, isso quando não, sabotada. O mesmo para uma pessoa negra retinta, que num espaço de prática racista pode ser fetichizada ao extremo ou maltratada e ofendida. Ou uma pessoa homossexual num ambiente heteronormativo (que privilegia relacionamentos e práticas heterossexuais). Ou uma pessoa transgênera num local transfóbico.

Certa vez, amiga trans recebeu uma mensagem horrível no chat do site onde muitos de nós temos perfil liberal dizendo que lá não era lugar pra ela. Ora, pois?! Como assim? Por quê? Logo ela, uma pessoa boa, de caráter, respeitosa. Por que não seria lugar para ela? E quem era esse homem para determinar qual seria o lugar de alguém? Ela denunciou para a administradora do site, que excluiu o perfil em algum momento. Isso foi ótimo. Mas a dor da minha amiga se manteve. Porque, sim. Machuca. Preconceito machuca.

Já pessoas com deficiência passam por uma parada super bizarra. O capacitismo (preconceito com pessoas com deficiência, os PCDs) faz com que muitas vezes elas sequer sejam observadas como seres transantes, que gozam, que sentem e que dão prazer. Parece que, além da rejeição, há uma infantilização e emasculação de PCDs. Loucura demais.

E, claro, há ainda as violências sofridas por mulheres num ambiente marcadamente machista. Porque, sabem, não se enganem. Uma mulher livre, segura de seu corpo (principalmente um corpo não considerado padrão), de sua sexualidade, de sua inteireza enquanto sujeito sexual que deseja e é desejada incomoda muita gente.

Parece surreal dizer isso, mas mesmo em ambientes com propostas liberais uma mulher pode ser coibida e “controlada” na sua manifestação de desejo e empoderamento. Sabe aquela coisinha que falei lá em cima sobre a suposta diferença entre “sexy”e “vulgar”? Pois, é. Tem disso. Sexy é quando alguém explora nosso corpo. Vulgar é quando é a gente, a dona do corpo, que faz isso.

Enfim. Acredito que quanto mais nos informamos, quanto mais representatividade tivermos, quanto mais naturalizarmos os diversos, melhores seremos como pessoas. Melhores serão as nossas experiências hedonistas e de prazer. Mais democrático e respeitoso será e, obviamente, mais divertido. Não precisa nem ser voyeur pra sentir prazer com gentes tendo prazer.

Organizando bem, todo o mundo goza. Juntos, misturados ou mesmo separados, mas na moral.

Dica: frequentem ambientes e eventos que valorizem a diversidade. Eu mesma conheço um. Clica aqui e se joga!

Autora: Luna (CRS: 59297)

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